Nova secretária de Mulheres é evangélica e contra o aborto até em caso de estupro

Fátima Pelaes tem perfil que destoa de suas antecessoras e não levanta ‘bandeiras contrárias aos valores bíblicos’

 

A ex-deputada federal, Fátima Pelaes (PMDB-AP), foi apresentada nesta terça-feira (31) como a nova gestora da Secretaria de Políticas para Mulheres. Ela é evangélica e se posiciona contra a descriminalização do aborto, se manifestando contra o procedimento inclusive em casos de estupro, o que é permitido por lei no Brasil desde 1984. Com perfil que difere das posturas de suas antecessoras – cujo possuiam pautas consideradas mais liberais e alinhadas às do movimento feminista – a nova secretária não diz não levantar “bandeiras contrárias aos valores bíblicos”, como a constituição livre de família e o aborto. Fátima está assumindo o cargo dias após o caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, o mesmo caso que motivou protestos de mulheres em todo o país.

A ex-deputada e sociológa não tem esse posicionamento desde sempre. Em um entrevista à editora Casa Publicadora das Assembleias de Deus, publicada há três anos atrás, afirmou que até 2002 defendia a descriminalização do aborto e não via a família como um projeto de Deus. O posicionamento depois disso mudou, e declara a mesma que foi “curada”, “conheceu Jesus” e passou a acreditar que “o direito de viver tem que ser dado para todos”.

Em um relato feito na Câmara, ocorrido durante discussão do Estatuto do Nascituro, em 2010, Pelaes contou que ela própria foi gerada a partir de um “abuso” que a mãe sofreu enquanto estava presa “por crime passional”. Relata também que “hoje estou aqui podendo dizer que a vida começa na hora da concepção sim”,  dizendo que se a sua mãe tivesse abortado, ela não estaria aqui hoje.

Segundo o jornal Estadão, “a ex-deputada, presidente do núcleo feminino do PMDB, foi escolhida pelo presidente em exercício, Michel Temer, após sugestão da bancada feminina da Câmara. Na gestão de Dilma Rousseff, a secretaria tinha status de ministério, mas atualmente está subordinada ao Ministério da Justiça e Cidadania. Derrotada nas eleições de 2014, Fátima Pelaes ficou até abril deste ano no cargo de diretora administrativa da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), sendo exonerada por Dilma depois que o PMDB rompeu com o governo. 15 imagens Dinheiro. Fátima Pelaes também esteve envolvida em um escândalo sobre desvios de dinheiro público do Ministério do Turismo, em 2011. Em depoimento à Polícia Federal, uma sócia da Conectur – empresa fantasma que, na verdade, funcionava em uma igreja evangélica – disse que a então deputada teria embolsado recursos de emendas para financiar sua campanha à reeleição. Ela nega. Ela ainda não foi oficialmente nomeada, mas participou nesta terça de seu primeiro evento na gestão Temer. Ela dividiu a mesa com o presidente em exercício e com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, em uma reunião com os secretários de segurança dos Estados e do DF para definir reforços nas medidas de combate à violência doméstica.”

 

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