‘Estupro está provado’, diz delegada sobre caso no Rio;

Em entrevista coletiva na tarde desta segunda (30), Cristiana Bento, delegada que assumiu neste domingo (29) as investigações do caso do estupro da adolescente de 16 anos, fez a afirmação de não ter dúvida de que o crime de estupro de fato aconteceu. “A minha convicção a é de que houve estupro. Está lá no vídeo, que mostra um rapaz manipulando a menina. O estupro está provado. O que eu quero agora é verificar a extensão desse estupro, quantas pessoas praticaram esse crime”, disse a delegada.

Titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), Cristiana alegou que o processo se encontra em segredo de Justiça, motivo este que não daria acesso às declarações prestadas pela vítima em depoimento e pelos suspeitos. Ela também declarou ter pedido a prisão temporária de seis suspeitos no envolvimento no crime , segundo ela “para que possamos investigar com mais calma” e afirmou que já havia indícios suficientes para justificar o pedido. “O vídeo prova o abuso sexual. Além do depoimento da vítima.”

Tambén participaram da entrevista coletiva também o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, e Adriane Rego, diretora do Instituto Médico-Legal (IML), órgão responsável pelo exame físico da garota cinco dias após o crime. De acordo com os policiais, a perícia técnica do IML ficou prejudicada por conta do tempo decorrido entre o crime e o exame. “Não foram colhidos indícios de violência, o que não quer dizer que ela não aconteceu”, disse o chefe da Polícia Civil.

Polícia Civil/Divulgação Procurados pela policia (da esq. para a dir.): Sergio Luiz da Silva Junior, Marcelo Miranda da Cruz Correa, Raphael Assis Duarte Belo, Michel Brasil da Silva, Lucas Perdomo e Raí de Souza

Adriane Rego, diretora do IML, afirmou que os peritos procuraram material biológico dos estupradores no corpo da vítima e que não foi encontrado. Segundo ela, diversos fatores interferem nessa questão, desde o uso de preservativos até o tempo decorrido para o exame. “O prazo de cinco dias dificulta muita coisa. Quanto mais próximo da violência for o exame, mais fácil é a gente detectar qualquer vestígio. O corpo tem reações que são muito fugazes, desaparecem rapidamente. Então, quanto mais próximo da lesão for o exame, maiores as chances de produzir provas técnicas”, disse Adriane Rego. “Os vestígios se perderam em razão dos vários dias que se passaram. Mas a polícia não pode afirmar que não houve lesão só porque o laudo não constatou”, declarou.

A delegada Cristiana relativizou a importância do laudo. “Nos crimes sexuais, o exame de corpo de delito é importante, mas não é determinante. Às vezes há lesão, mas foi consentida pela vítima. E pode acontecer de ter havido estupro mesmo não tendo havido lesão.” Ela também levantou uma outra possibilidade para a falta de vestígios no corpo da adolescente: “Como ela estava desacordada, não vai haver lesão porque ela não ofereceu resistência. Por isso o laudo não é determinante.”

Um dos seis suspeitos procurados pelo crime de estupro foi encontrado e está sendo encaminhado à delegacia. Raí de Souza se entregou à polícia na tarde desta segunda-feira (30). O jogador de futebol Lucas Perdomo, 20, foi detido na porta de um restaurante na rua Santa Luzia, no centro do Rio, em torno de 15h30 desta segunda (30) pela Polícia Civil. Os outros quatro estão foragidos ou não estavam nos endereços que comunicaram à polícia em seus depoimentos.

Fernando Veloso, chefe da Polícia Civil, declarou que os policiais irão prender “qualquer pessoa que tenha envolvimento com o tráfico naquela comunidade, esteja lá ou em outras” e que também “Independentemente da investigação pelo envolvimento com o tráfico, há o interesse de que sejam investigadas e ouvidas nessa investigação comandada pela doutora Cristiana.”

CRONOLOGIA DO CASO

21.mai.2016 – A adolescente foi estuprada na madrugada no complexo de favelas São José Operário, zona oeste do Rio, após ir ao baile funk. Em 2009, a lei 12.015 foi alterada e passou a considerar, além da conjunção carnal, atos libidinosos como crime de estupro.

22.mai.2016 – Acorda cercada por homens armados, mesmo dia em que volta para casa

24.mai.2016 – A vítima fica sabendo que um vídeo com ela circula na internet e volta ao morro para falar com o chefe do tráfico

25.mai.2016 – A família da menina é avisada por um vizinho sobre o vídeo

26.mai.2016 – A jovem presta o primeiro depoimento à polícia, é medicada em um hospital e faz exames no IML

27.mai.2016 – A menina presta mais dois depoimentos à polícia, assim como dois dos suspeitos de participar do crime; neste mesmo dia, a polícia localiza a casa em que o crime aconteceu

28.mai.2016 – A advogada da vítima, Eloísa Samy, pediu à Promotoria do Rio o afastamento do delegado Alessandro Thiers, títular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DCRI). Segundo Samy, Thiers estava tratando o caso com “machismo e a misoginia”

29.mai.2016 – Pressionada, a Polícia Civil do Rio tirou do delegado Alessandro Thiers o comando das investigações. O caso passou para a delegada Cristina Bento, titular da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima). A vítima entrou no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte. Eloísa Samy, advogada da adolecente anunciou nas redes sociais que foi dispensada pela família do caso. A Defensoria Pública do Rio é agora a responsável por representar a vítima.

30.mai.2016 – A delegada, em entrevista coletiva com Fernando Veloso, Chefe da Polícia Civil e Adriane Rego, diretora do IML, declara que ocorreu o estupro e consegue a autorização para a prisão preventiva de seis suspeitos

 

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